Festa de fim de ano perde a pompa

admin em 18 de Dezembro de 2007 @ 11:32

Na nova etiqueta empresarial, gastar demais nos eventos contraria as boas práticas de governança corporativa
A agência de publicidade África vai realizar sua festa de fim de ano no espaço popular Traço de União, próximo ao Largo da Batata, em São Paulo, para um público restrito de 200 pessoas. Será uma comemoração bem diferente da realizada no ano passado, para mais de mil pessoas no luxuoso Terraço Daslu. A mudança tem uma explicação: a tendência é que as tradicionais festas de fim de ano sejam menos sofisticadas e mais discretas.

A tendência não se restringe ao meio publicitário. Numa atitude surpreendente para um ano em que a economia está “bombando”, os empresários e executivos estão se sentindo constrangidos de gastar muito nas comemorações. Uma nova etiqueta empresarial está mudando o perfil da badalação.

Aproveitar a festa de fim de ano como uma ação de marketing e relacionamento - convidando clientes, fornecedores e profissionais de mídia - sempre esteve na pauta e no borderô das empresas. Mas a propagação dos conceitos de governança corporativa - mesmo para aqueles que não trabalham com o mercado de capitais - tem levado a uma mudança de valores e de imagem. Agora se combate ao que poderia ser visto como desperdício. “Acabou a era das festas hollywoodianas pela pura disputa de prestígio”, diz Sérgio Gordilho, vice-presidente de Criação da Africa.

Sergio Motta Mello, da TV1 Comunicação e Marketing, que há décadas organiza festas para grandes grupos empresariais, diz que “os eventos festivos estão cada vez mais focados em um objetivo a ser atingido pela empresa e são montados para públicos específicos, com intenções claras.”

Um exemplo é a Fiat. Em clima de euforia, afinal nunca as montadoras venderam tanto e a Fiat é líder de mercado, a companhia vai comemorar o bom desempenho em um evento anual que acaba em festança na próxima semana, em Betim.

Antes do champanhe, cerca de 1.500 funcionários vão debater resultados e perspectivas para 2008. “O encontro institucional é também um momento de refletir sobre avanços e discutir os desafios do futuro”, diz o presidente Cledorvino Belini.

Bazinho Ferraz, da agência B/Ferraz do Grupo ABC de Nizan Guanaes, dono da África, endossa a tese da contenção de ânimos nas celebrações neste fim de ano. “As festas internas estão mais voltadas para os funcionários, são menores e mais intimistas.”

O presidente da agência Fischer América, Antonio Fadiga, afirma que cada vez mais fica explícito que megafestas - em que os públicos se misturam e os funcionários acabam assumindo um papel de coadjuvantes - não são saudáveis para os negócios. “Encaro essas festas como uma ação motivacional para prestigiar e envolver todos os que ralaram para que se chegasse aos resultados do balanço anual”, pondera. Há dois anos, a Fischer gasta sua verba para isso. No ano passado, levou apenas seus 250 colaboradores para três dias de diversão, com algumas palestras, no Hotel do Frade, em Angra dos Reis (RJ). “Na era da governança corporativa, ninguém quer ser visto como perdulário.”

Nessa mesma linha, a de estimular apenas confraternização interna, a agência Talent distribui sandálias de borracha entre os funcionários com o seu logotipo os convidando para o evento comemorativo no restaurante East.

A agência AlmapBBDO investe em brincadeiras com premiação de talentos. Lógico que não os exercidos no dia-a-dia da propaganda. No ano passado, assim como neste, a festa elegeu através do voto dos presentes a melhor performance artística, com direito a prêmios de até R$ 10 mil.

Matéria publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, de 18/12/2007

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